
Como alguns de vocês sabem, eu moro numa quinta e temos 1 hectare de terreno.
Para quem não sabe quanto é um hectare são 10 000 metros.
É muito terreno… e como tal, nem todo o terreno está “arranjado”.
Há muitas ervas daninhas, principalmente silvas que crescem a olhos vistos.
Um dia observando essa parte do terreno que não está arranjado, fiquei comovida ao identificar no meio de tantas ervas daninhas, que se sobreponham já umas às outras, uma linda flor de cor amarela.
Não era difícil identifica-la , a sua cor e forma contrastavam enormemente com as ervas de coloração verde que a rodeavam.
Deve ter sido naturalmente o vento que levou alguma semente das minhas flores e ela ali se desenvolveu no meio do “nada”.
Durante alguns minutos essa súbita observação suscitou em mim uma série de reflexões:
pensei no quanto estamos num mundo difícil de se viver e no quanto é importante nós não podermos deixar-nos sufocar pelos problemas.
Conclui que por muito que o mundo esteja cheio de ervas daninhas, nós não temos que nos tornar uma delas.
Não importa qual sejam as dificuldades haverão sempre flores amarelas...
Quando deixamos de percebê-las é porque a pretensão de achar que sabemos tudo nos tapa os olhos.
Nisso, perdemos um pouco da nossa identidade e passamos a achar o nosso lugar ruim de viver.
Invejamos o jardim do vizinho. Achamos que seríamos mais felizes com uma outra casa, um outro carro, um outro emprego... vã ilusão!
Poucos são os jardins onde não existem ervas daninhas.
O que torna uns mais belos que os outros é tão somente a maneira como os observamos e a capacidade que temos, ou não, de identificar as flores no meio das ervas daninhas.
Vale a pena reflectir sobre isto!!!