
Havia um homem que vivia à beira de uma estrada, onde vendia cachorro quente.
Ele não ouvia bem, por isso raramente ouvia rádio.
Tinha problemas de visão, por isso também não lia jornais e a televisão de tão cansado que chegava a casa, que a vontade de a ligar era nenhuma.
Mas ele vendia muitos cachorros quentes.
Colocava cartazes na estrada, fazendo propaganda da qualidade do seu produto.
Ficava na beira da estrada e oferecia o seu produto em alta voz, e o povo comprava, não faltavam clientes.
Lentamente foi aumentando as vendas e cada vez mais aumentava a compra de salsicha e de pão.
Comprou um fogão industrial para melhor atender os fregueses.
O negócio prosperava e o homem conseguiu até mesmo enviar o seu filho estudar na faculdade, na capital.
Certo dia, o filho já formado, retornou para cuidar do pai e viu que as coisas não mudavam naquele lugar.
Já em casa do pai, disse-lhe:
- O pai não ouve rádio! Nem lê jornais! Há uma crise no mundo. A situação na Europa é terrível. Tudo está a ir por água abaixo. Há que poupar.
O pai começou logo a reflectir:
"Meu filho estudou, lê jornais, ouve rádio e só pode estar com a razão."
Então resolveu reduzir as compras de salsicha e de pão.
Tirou os cartazes de propaganda e já não anunciava tão alto o seu cachorro quente, abatido que estava pela notícia da crise.
As vendas foram caindo, caindo, caindo...
Então o pai finalmente disse ao filho:
-” Tu estavas certo, meu filho. Nós certamente estamos vivendo uma grande crise."







































