12 setembro 2008

Doze pratos...




Um príncipe chinês orgulhava-se da sua colecção de porcelana, de rara quão antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa.


Certo dia, o seu zelador, num momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças.
Ao tomar conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor que fora vítima de uma circunstância fortuita.

A notícia tomou conta do império, e às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem à colecção, se o servo fosse perdoado.

Emocionado, o príncipe reuniu a sua corte e aceitou a oferenda do venerado ancião.
Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel.

Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore e quebrando-as todas.

Ante a perplexidade que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:
- Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me. Dado que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro.
Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objectos nada valem.

Passado o choque, o príncipe comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma.


Quantas vezes, deixamos o nervosismo do momento tomar lugar nas nossas vidas e com duras palavras ferimos a quem amamos!
Quantas coisas colocamos na frente do amor, do respeito, da compreensão que deveríamos ter?

Que durante esta semana, tenhamos tempo para meditar se não estamos matando por um prato quebrado...




6 comentários:

SuEli disse...

Boa Noite, Anita
Quem não já quase matou alguém por estragar ou quebrar algo material que gostasse muito?
Eu já. E pude perceber que tudo que mais gostava de material, sempre alguém estragava, quebrava ou me era roubado.
Neste processo espiritual, Deus vai desapegando-nos de tudo, exatamente desta maneira.
Hoje em dia, não tenho mais apego a nada, graças a Deus.
Aqui aonde moro, só eu e a Mel temos real valor, pois temos vida.
As outras coisas materiais fazem parte da minha história, somente.
Aprendi a só querer o que é meu por direito divino, pois desta forma tenho certeza de que me pertence.
Aquilo que não me pertence, seja material ou não, a Deus pertence.
A vida fica muito mais leve e fácil de se viver, quando chegamos a este nível de desprendimento.
Um abençoado final de semana para todos vocês,
Fiquem com Deus,
Beijos,

SuEli disse...

"Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos..." [William Shakespeare]
A caminhada consiste na purificação e no desapego total.
bjs

A Flôr disse...

Minha Querida Ana, BOM DIA Amiga querida!

:))

Começo por Te desejar um excelente fim-de-semana!

"A POSSIBILIDADE DE REALIZARMOS UM SONHO É O QUE TORNA A VIDA INTERESSANTE." Paulo Coelho

Xi-coração Te deixo linda e não Te esqueças de sorrir para a Vida...

Goto muito de Tu, goto goto....


Flor com muito carinho :-)**

Multiolhares disse...

Este tema é bem reflexivo,
Quanta dor causamos e nos causamos,
Por vezes darmos mais valor ao que é
Material do que ao amor, e no fundo é só o amor que
Nos pode salvar de nos mesmos
Beijinhos ternos

Tinoca Laroca disse...

o que será que quebramos em nossas vidas?

God bless you,
T.

Polêmica disse...

Ás vezes condenamos as pessoas por pouca coisa, por caisas que não tem tanto valor quanto uma pessoa amada tem!

Beijinhos!

prémios e miminhos ganhos