13 outubro 2008

As aparências enganam...



Num orfanato igual a tantos outros que existem por toda a parte, havia uma pobre órfã de oito anos de idade.

Era uma criança lamentavelmente sem encantos, de maneiras desagradáveis, evitada pelas outras, e francamente mal vista pelos professores. Por essa razão, a pobrezinha vivia no maior isolamento.

Ninguém para brincar, ninguém para conversar... Sem carinho, sem afecto, sem esperança... Sua única companheira era a solidão.

O director do orfanato aguardava ansioso uma desculpa legítima para livrar-se dela. E um dia apresentou-se, aparentemente, uma boa desculpa.

A companheira de quarto da menina informou que ela estava mantendo correspondência com alguém de fora do orfanato, o que era terminantemente proibido.

- Agora mesmo, disse a informante, ela escondeu um papel numa árvore.

O director e seu assistente mal puderam esconder a satisfação que a denúncia lhes causara.

- Vamos tirar isso a limpo agora mesmo, disse o superior. E, juntando-se ao assistente, pediu para que a testemunha do delito os acompanhasse a fim de lhes mostrar a prova do crime.

Dirigiram-se os três a passos rápidos, em direcção à árvore na qual estava colocada a mensagem.

De facto lá estava um papel delicadamente colocado entre os ramos.

O director desdobrou ansioso o bilhete, esperando encontrar ali a prova de que necessitava para livrar-se daquela criança tão desagradável aos seus olhos. Todavia, para seu desapontamento e remorso, no pedaço de papel um tanto amassado, pôde ler a seguinte mensagem:

"A qualquer pessoa que encontrar este papel: eu gosto de você."

Os três investigadores ficaram tão decepcionados quanto surpresos com o que leram. Decepcionados porque perderam a oportunidade de livrar-se da menina indesejável, e surpresos porque perceberam que ela era menos má do que eles próprios.




Quantos de nós costumamos julgar as pessoas pelas aparências embora saibamos que estas são enganadoras.

E o pior é que, se as aparências não nos agradam, marcamos a pessoa e nos prevenimos contra ela e suas atitudes.

Uma antiga e sábia oração dos índios Siuox, roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias. Isto quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos.

Aqueles que talvez ela queira esconder de si mesma, para proteger-se dos sofrimentos que a sua lembrança lhe causaria.

5 comentários:

SuEli disse...

Boa Noite, Anita,

"Uma antiga e sábia oração dos índios Siuox, roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias. Isto quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos."

Eu já interpreto diferente. Eu digo que usar as sandálias do outro por sete dias, significa passar pelo que o outro está passando por sete dias.

Só podemos dizer algo sobre alguém, se vivermos no lugar dela, fora disso jamais podemos dizer alguma coisa, seja lá o que for.

Uma abençoada noite para todos vocês e um lindo amanhecer.

Fiquem com Deus,
Beijos,

Andreia do Flautim disse...

Tadinha, ela só queria afecto!

Pelos caminhos da vida. disse...

Boa tarde Anita!

Sábia oração dos indios Siuoux.

Eu passei por uma injustiça,que tem muito a ver com "As aparências enganam...",se vc for me visitar hoje,fiz um desabafo lá,gostaria dê uma palavra amiga sua.
Um gde abraço amiga.

beijooo.

Multiolhares disse...

È verdade uma das coisas que o ser humano mais gosta de fazer
É julgar, e quem somos nós para julgar quem quer que seja
beijinhos

GUILHERME PIÃO disse...

Infelizmente a maioria tem a mania de julgar sem antes conhecer...
A maioria são materialistas...
Abraços

prémios e miminhos ganhos