05 outubro 2008

Auxílio mútuo




Numa zona montanhosa, através da região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se quanto possível contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta na estrada, ao sabor da ventania de Inverno.

Um deles fixou o singular achado e exclamou, irritado:
- Não perderei tempo! A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos em frente.
O outro porém, mais piedoso, considerou:
- Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.
- Não posso - disse o companheiro endurecido. Sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia próxima o mais depressa possível. E avançou em largas passadas.

O viajante de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao seu peito, e aconchegando-o ainda mais, marchou, embora menos rápido.
A chuva gelada caiu metódica pela noite dentro, mas ele amparando o valioso fardo, depois de muito tempo, atingiu a hospedaria do povoado que buscava.

Com enorme surpresa porém, não encontrou o colega que havia seguido na sua frente. Somente no dia seguinte, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida numa vala do caminho alagado.

Seguindo a pressa e só, com a ideia egoísta de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta, e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento.

Enquanto que o companheiro, recebendo em troca o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, salvando-se de semelhante desastre.

Descobrira a importância do auxílio mútuo. Ajudando o menino abandonado, ajudara-se a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.

Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum.

Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos.

Ninguém duvide!

5 comentários:

Polêmica disse...

Deus sabendo que aqueles velhinho não resistiriam o frio e morreriam, colocou no caminhos deles aquele menino mas, infelizmente um dos velhinhos foi egoísta e não conseguiu entender o valor que aquele menino tinha pois, salvaria sua vida e acabou morrendo. Temos que enxergar as bençãos e a juda que Deus nos dá nos dia-a-dia, ás vezes pensamos que estamos carregando um fardo e não conseguimos enxergar Deus em tudo o que acontece no nosso cotidiano. Precisamos orar pedindo a Deus sabedoria, precisamos pedir que ele abra nossos olhos espirituais!

Beijinhos!

Andreia do Flautim disse...

Ao salvar o menino, salvou-se também a si próprio!

Fernanda disse...

Linda história, Anita! Eu não duvido, eu sei que é assim. De qualquer forma quem ainda não compreendeu a alegria do "dar" está a passar ao lado de algo grandioso.
Boa semana para vocês!
Bjos

Ana Maria disse...

Se ajudarmos os outros, seremos ajudados também.
Amiga, lindas palavras que deixou no comentário; você é maravilhosa!
Ótima segunda!
Beijinhos!

Viviana disse...

Olá querida Anita,

Mas que interessante esta história do seu post!

Gostei muito.

Que cada um de nós possa estar atenta e pronta para ajudar quem no nosso caminho precisar de ajuda.

Um beijo
Viviana

prémios e miminhos ganhos